Fisioterapia uroginecológica

   Assoalho pélvico é um conjunto de estruturas que fecham a pelve inferiormente. Seus músculos se parecem com uma “cama elástica” e ajudam a sustentar a bexiga, o útero e o intestino (Fig1). Os músculos que o compõe podem perder sua integridade ao longo da vida, por acontecimentos normais do ciclo de vida feminino, seja a mulher mãe ou não, como:

  • Envelhecimento, tem papel decisivo no enfraquecimento natural da MAP; 
  • Situações que aumentam a pressão intra-abdominal (tossir, espirrar, rir, levantar objetos pesados e praticar esportes de alto impacto) sobrecarregam a MAP; 
  • Menopausa também apresenta-se como uma fase onde comumente as queixas relacionadas ao assoalho pélvico são frequentes, devido as alterações hormonais. 
  • Gestação, a força da MAP deve ser ainda maior já que, durante este período, o peso do conjunto formado pelo bebê, placenta, etc, gera uma sobrecarga de vários meses sobre aquela musculatura. 

Ou seja, ninguém está livre dos fatores causadores deste enfraquecimento, mas todas podem minimizá-los. Como? Com exercícios!

      Como qualquer outro músculo, a musculatura do assoalho pélvico pode (e deve!) ser mantida forte, sadia e ativa durante toda a vida por meio do exercício. Existem diversos tipos de exercícios que são prescritos após o músculo ser avaliado,  e assim o fisioterapeuta irá orienta-la,  podendo os exercícios serem realizados não só no consultório, mas durante as atividades da vida diária.

      Quando feitos regularmente, esses exercícios ajudam a prevenir a a incontinência urinária e o prolapso. Outro benefício para as mulheres é que, quando os músculos do assoalho pélvico estão fortalecidos, há maior chance de se chegar ao orgasmo e de ter uma vida sexual mais satisfatória.

      As principais disfunções do assoalho pélvico se apresentam como:

  • Perda involuntária de urina, seja por esforços (ao pegar peso, rir, tossir, etc.) ou em momentos de urgência para ir ao banheiro;
  • Prolapso da bexiga e/ou útero, conhecido como bexiga e/ou útero caídos;
  • Disfunções sexuais, como a dor durante a relação sexual, dificuldade para permitir a penetração ou sensação de fraqueza vaginal.

GESTAÇÃO: FASE ESPECIAL, INCLUSIVE PARA OS CUIDADOS

      É recomendado que todas as gestantes, independente da via de parto possível ou desejada (normal ou cesárea), realizem exercícios para os músculos do assoalho pélvico. Isto se dá ao fato de que, durante a gestação, a musculatura do assoalho pélvico sofre um prolongado teste de resistência, sustentando, além dos órgãos pélvicos da mãe, o bebê, placenta, cordão umbilical, etc. Assim, uma musculatura forte proporciona melhor apoio ao peso extra da gravidez, ajuda no segundo estágio do trabalho de parto e, ao aumentar a circulação, auxilia na recuperação do períneo (área entre a vagina e o ânus) após o nascimento do bebê, além de diminuir as dores lombares, tão comuns às gestantes, especialmente nos últimos meses. 

      Os exercícios a serem realizados devem ser prescritos individualmente, de acordo com o diagnóstico muscular feito pelo fisioterapeuta. Na avaliação a mulher é esclarecida sobre as alterações do corpo na gestação, conscientização sobre o músculo perineal, e o que será realizado em cada fase, inclusive a prescrição de exercícios domiciliares, massagens e adaptações de vida diária de acordo com as necessidades individuais da musculatura não só do assoalho pélvico, mas de todo o corpo da gestante.

   Estudos científicos demonstram que os exercícios podem facilitar o parto, pois trabalham o controle de contração e relaxamento muscular e aumentam a percepção sobre a região perineal. O desejável, então, para uma gestante, é ter músculos funcionais, fortes e com boa capacidade de alongamento para diminuir a possibilidade de lesões durante o parto e uma recuperação melhor e muito mais rápida.

    Após o nascimento do bebê, independente da via de parto, devem ser reiniciados os exercícios para os músculos do assoalho pélvico. Em geral, o fisioterapeuta já prescreverá os cuidados com o assoalho pélvico no primeiros dias pós parto, ainda na gestação, entretanto é recomendável uma reavaliação muscular com palpação em torno de 30 a 40 dias após o parto.

Se você apresenta algum dos sintomas de disfunção do assoalho pélvico, ou mesmo deseja preveni-los ou se preparar para uma gestação e parto mais saudáveis, você pode se beneficiar da fisioterapia para os músculos do assoalho pélvico.